Como o payroll dos EUA pode mudar o rumo da Bolsa brasileira
Investidores aguardam o relatório de vagas e desemprego para ajustar apostas nos juros americanos

Na manhã de 4 de setembro, o relatório payroll dos Estados Unidos será divulgado às 9h30 (horário de Brasília). A expectativa de criação de cerca de 55 mil vagas, após a queda inesperada de julho, coloca o dado como foco central para investidores que buscam entender a próxima trajetória da Bolsa brasileira.
Por que o payroll está em alta agora
O Ibovespa chegou a 188.891 pontos, nível que não era visto desde o início de maio, mas encerrou o dia praticamente estável em 185.188 pontos. A sequência de 11 altas foi interrompida, e o mercado aguarda o payroll para decidir se retoma a força ou se ocorre realização de lucros.
O que o mercado espera do relatório
Além da criação de vagas, analistas destacam a importância dos números de desemprego e salários. A taxa de desemprego projetada para permanecer em 4,1% e a variação salarial serão usadas para medir a temperatura da economia americana e calibrar as apostas sobre a política do Federal Reserve.
Como o payroll pode influenciar os juros americanos
O diretor do Fed Christopher Waller afirmou estar disposto a defender a manutenção dos juros caso a inflação avance rumo à meta de 2%, mas indicou que uma pressão inflacionária maior poderia levar a uma alta. Após suas declarações, operadores reduziram as apostas em um aumento de 0,25 ponto percentual em setembro, deixando o mercado dividido entre alta e manutenção.
Consequências para o dólar e para o Ibovespa
Um payroll abaixo das expectativas tende a ser bem recebido nas bolsas americana e brasileira, pois pode reduzir a pressão para elevação dos juros. Nesse cenário, os rendimentos dos Treasuries caem, o dólar perde força e o apetite por ativos de risco, sobretudo em mercados emergentes, aumenta. Para o Brasil, a combinação de juros americanos mais baixos, dólar enfraquecido e maior apetite por risco pode atrair capital estrangeiro e impulsionar o Ibovespa.
Riscos de um payroll muito forte
Se o número de vagas superar a projeção e vier acompanhado de salários elevados e desemprego em queda, a percepção de necessidade de elevação dos juros nos EUA se intensifica. O resultado seria aumento nos rendimentos dos Treasuries, fortalecimento do dólar e redução do fluxo para mercados emergentes, o que poderia provocar correção na Bolsa brasileira.
O cenário mais provável segundo os analistas
Gabriel Uarian, da Cultura Capital, aponta que o “melhor dos mundos” seria um emprego desacelerando de forma controlada, sem gerar temores de recessão. André Moraes, da Trade ao Vivo, destaca que a inflação ainda tem peso relevante na leitura do mercado. Ambos concordam que a combinação de vagas moderadas, salários estáveis e taxa de desemprego em torno de 4,1% pode abrir espaço para uma política monetária menos restritiva nos EUA, favorecendo a Bolsa brasileira.
Com informações de InfoMoney.
Fonte: InfoMoney
Entenda o tema
Reportagens de fundo do Explosão Solar que explicam o assunto desta notícia.